PROTÓTIPO — layout para avaliação. Conteúdo e números vindos do site atual do ICAS.
Conservação no Pantanal, Cerrado e Mata Atlântica desde 2010

Proteger o maior tatu do mundo é defender a vida.

O ICAS estuda e protege o tatu-canastra e o tamanduá-bandeira — e trabalha lado a lado com apicultores, motoristas e comunidades para que a fauna e as pessoas possam dividir o mesmo território.

16
anos protegendo espécies ameaçadas
52,4 mil
pessoas alcançadas por educação ambiental em 2025
160 mil
hectares protegidos pela brigada comunitária
55+
artigos científicos publicados
Nossos programas

Duas espécies-bandeira, muitas frentes de trabalho

Cada programa reúne pesquisa de campo, tecnologia e trabalho com as pessoas que dividem o território com esses animais.

Tatu-canastra
Desde 2010

Programa de Conservação do Tatu-Canastra

Nasceu no Pantanal e hoje atua também no Cerrado e na Mata Atlântica, usando armadilhas fotográficas e GPS para revelar a ecologia de uma espécie rara, noturna e classificada como vulnerável pela IUCN.

44indivíduos monitorados no Pantanal
40indivíduos identificados na Mata Atlântica
700+registros fotográficos da espécie
80espécies usam as tocas do tatu

Pantanal

Base do programa desde 2010, na Nhecolândia. Origem da brigada comunitária que hoje protege 160 mil hectares.

Cerrado

Monitoramento no Parque Natural do Pombo, em Três Lagoas, com 80 armadilhas fotográficas e GPS.

Mata Atlântica

No Parque Estadual do Rio Doce (MG), onde vive o que pode ser a última população viável do bioma.

Tamanduá-bandeira
Desde 2017

Programa de Conservação do Tamanduá-bandeira

Ciência, tecnologia e ação comunitária para proteger uma espécie altamente vulnerável a colisões em rodovias e à perda de habitat — e para tornar as estradas mais seguras para todos.

85 milkm de rodovias monitorados
100+tamanduás rastreados por GPS
24filhotes órfãos devolvidos à natureza
1resolução estadual criada a partir da pesquisa

Bandeiras e Rodovias

Diagnóstico das colisões, mapa de trechos críticos e o manual que virou a Resolução Estadual nº 001/2022 em MS.

Detetives Ecológicos

Coletes com GPS registram a posição dos animais a cada 20 minutos, revelando rotas e barreiras na paisagem.

TamanduASAS

Criação, reabilitação e soltura monitorada de filhotes órfãos — a maioria perdeu as mães em atropelamentos.

Abelhas em favo de mel
Desde 2015

Canastras e Colmeias

Quando o Cerrado perde vegetação, o tatu-canastra passa a procurar larvas nas colmeias — e entra em conflito com quem vive do mel. Este projeto construiu, junto com os apicultores, um jeito de os dois conviverem.

1.000+produtores rurais ouvidos em campo
+20%nas vendas do mel certificado
+15%no valor agregado do mel
2026certificado como tecnologia social

Guia de Boas Práticas

Técnicas de manejo desenvolvidas com os próprios apicultores para proteger as colmeias sem prejudicar a fauna.

Selo Amigo do Tatu-Canastra

Certifica o mel produzido em harmonia com a conservação — e valoriza o produto de quem adota as boas práticas.

Programa Rainhas

Distribuição de abelhas rainha de linhagem selecionada para apicultores que perderam enxames.

Reconhecido como tecnologia social

Em 2026, a metodologia do Canastras e Colmeias foi certificada pela Fundação Banco do Brasil como tecnologia social — um reconhecimento de que a convivência entre apicultores e tatu-canastra pode ser replicada em outros territórios.

25propriedades na brigada comunitária
160 milhectares protegidos do fogo
6organizações no observatório de rodovias
Educação ambiental

Ciência que chega na escola

A educação e comunicação ambiental do ICAS realiza ações com escolas, comunidades e formação de educadores nas áreas de estudo dos projetos, com material organizado por fase escolar.

52.400pessoas alcançadas em 2025 por escolas, universidades, exposições e ações comunitárias
751inserções espontâneas na imprensa nacional e internacional em 2025
17pesquisadores apoiados pelo Programa de Capacitação

Os materiais são organizados por fase do ensino escolar, para facilitar o trabalho dos educadores, que podem usá-los ou adaptá-los conforme seu contexto. Há também materiais desenvolvidos por parceiros ligados ao ensino de ciências.

Educação inclusiva: para estudantes público-alvo da educação especial, o ICAS oferece orientações e adaptações do material educativo.

Vídeos

O trabalho em movimento

Registros de campo, documentários e reportagens sobre os programas do ICAS.

Quem faz

A equipe do ICAS

Zoólogos, veterinários, biólogos, educadores e comunicadores que sustentam a pesquisa e o trabalho de campo.

Arnaud Desbiez

Arnaud Desbiez

Zoólogo · Fundador

Fundou o ICAS em MS e coordena os programas do tatu-canastra e de rodovias. Vencedor do Whitley Award em 2015.

Danilo Kluyber

Danilo Kluyber

Médico veterinário

Veterinário do Projeto Tatu-Canastra desde 2011, com foco em medicina de animais selvagens e da conservação.

Débora Yogui

Débora Yogui

Médica veterinária

Atua no Projeto Bandeiras e Rodovias desde 2017, com captura e monitoramento de fauna silvestre.

Mariana Catapani

Mariana Catapani

Bióloga

Usa métodos das ciências sociais para entender as interações entre pessoas e fauna e melhorar a convivência.

Erica Naomi Saito

Erica Naomi Saito

Bióloga

Especialista em monitoramento e mitigação de colisões veiculares com fauna, no Bandeiras e Rodovias desde 2021.

Yuri Ribeiro

Yuri G. G. Ribeiro

Engenheiro florestal

Análise espacial, modelagem de distribuição de espécies e planejamento para conservação.

Andréia Nasser Figueiredo

Andréia N. Figueiredo

Educadora ambiental

Responsável pela implementação do Plano de Ação de Educação e Comunicação do ICAS desde 2018.

Audrey Brisseau

Audrey Brisseau

Comunicação

Economista, desenvolve a estratégia de comunicação e conteúdo para os canais do instituto.

Parceiros e apoiadores

Quem torna o trabalho possível

O ICAS é sustentado por uma rede internacional de fundações, zoológicos e instituições de pesquisa.

Fondation Segré
Royal Zoological Society of Scotland
Instituto de Pesquisas Ecológicas
Play for Nature
Chester Zoo
Whitley Fund for Nature
La Passerelle Conservation
Beauval Nature
Natural Research
Disney Conservation Fund
Houston Zoo
Wilhelma
E muitos outros ao longo dos anos: Mohamed bin Zayed Species Conservation Fund · National Geographic · Prince Bernhard Fund for Nature · Taronga Zoo · Taiwan Forestry Bureau · Zoo Atlanta · Cerza Zoo · Parc Animalier d'Auvergne · AZA Conservation Grant Funds · Idea Wild · e dezenas de zoológicos e instituições no Brasil, Europa, Estados Unidos e Ásia.
Transparência

Para onde vai cada real

Publicamos nossos relatórios e demonstrativos porque quem apoia o ICAS tem o direito de saber exatamente como o recurso é aplicado.

Pesquisa e trabalho de campo62%
Trabalho com comunidades21%
Educação e comunicação11%
Administração6%

Distribuição fictícia, apenas para ilustrar o formato.

Apoie

Cada doação vira noite de campo

Sua contribuição sustenta as armadilhas fotográficas, os coletes de GPS, as visitas aos apicultores e a brigada que protege o Pantanal do fogo. Recebemos doações do Brasil e do exterior.

R$ 50uma noite de armadilha fotográfica
R$ 150uma visita técnica a apicultor
R$ 400apoio ao monitoramento por GPS

Pix, cartão e PayPal. As destinações acima são ilustrativas neste protótipo.

Últimas notícias

O que está acontecendo

As novidades mais recentes aparecem aqui automaticamente — sem depender de atualização manual.

1 de junho de 2026

Brigada Comunitária da Nhecolândia fortalece preparação para a temporada de incêndios no Pantanal

3 de março de 2026

Tecnologia social do ICAS é certificada pela Fundação Banco do Brasil

17 de outubro de 2025

Brasileiro vence prêmio internacional de fotografia com imagem de tamanduá-bandeira órfão

Desde 2010

Programa de Conservação do Tatu-Canastra

Proteger a maior espécie de tatu do mundo é defender a vida. O programa nasceu no Pantanal em 2010 e hoje atua também no Cerrado e na Mata Atlântica, usando armadilhas fotográficas e GPS para revelar a ecologia e os hábitos dessa espécie rara e vulnerável.

44indivíduos monitorados no Pantanal
40indivíduos identificados na Mata Atlântica
700+registros fotográficos da espécie
100+estagiários e voluntários formados
Vista aérea do Pantanal da Nhecolândia
Imagem aérea do Pantanal da Nhecolândia: área de estudo do Projeto Tatu-canastra.
Onde atuamos

Três biomas, três realidades

O tatu-canastra ocorre no Pantanal, na Amazônia, no Cerrado e em remanescentes da Mata Atlântica. O programa acompanha a espécie em três deles.

Pantanal · desde 2010

Onde tudo começou

O projeto começou na Fazenda Baía das Pedras, na sub-região da Nhecolândia (MS), com o objetivo de desvendar aspectos da ecologia, biologia, saúde, genética e história natural do maior tatu do mundo — uma espécie rara e até então pouco estudada.

A equipe utiliza armadilhas fotográficas, rádios transmissores e coleta de material biológico. A baixa densidade populacional da espécie — estimada em apenas 7 a 8 indivíduos a cada 100 km² — está diretamente ligada ao seu ciclo reprodutivo lento.

44indivíduos monitorados
7–8indivíduos por 100 km²
Pantanal da Nhecolândia
Área de estudo no Pantanal da Nhecolândia.
Cerrado · desde 2015

Parque Natural Municipal do Pombo

Em 2015 o projeto se tornou programa e expandiu para o Cerrado sul-mato-grossense. Desde 2022, atua no Parque Natural Municipal do Pombo, em Três Lagoas, em parceria com a Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Agronegócio.

São 80 armadilhas fotográficas com sensores de movimento e dispositivos de GPS monitorando a única população conhecida de tatu-canastra sob proteção em unidade de conservação na região. O parque tem mais de 80 km² de mata nativa preservada.

80armadilhas fotográficas
80 km²de mata nativa preservada
Parque Natural Municipal do Pombo
Parque Natural Municipal do Pombo, em Três Lagoas (MS).
Mata Atlântica · desde 2020

Parque Estadual do Rio Doce

Na Mata Atlântica, o programa concentra esforços no PERD, maior área contínua de mata nativa de Minas Gerais, com quase 36 mil hectares. Desde 2020, mais de 700 imagens da espécie foram registradas, permitindo identificar 40 indivíduos.

O parque é considerado estratégico por abrigar o que pode ser a última população viável do tatu-canastra no bioma. O monitoramento inclui visitas quinzenais e 80 armadilhas fotográficas.

36 milhectares de mata nativa
40indivíduos identificados
Parque Estadual do Rio Doce
O Parque Estadual do Rio Doce possui mais de 40 lagos em seu território.

Um engenheiro do ecossistema

As tocas escavadas pelo tatu-canastra podem chegar a 5 metros de comprimento e 1,5 metro de profundidade — e viram abrigo para muitas outras espécies. No Parque Estadual do Rio Doce, cerca de 80 espécies já foram registradas interagindo com essas tocas. Ao todo, estima-se que mais de 100 espécies de vertebrados e cerca de 300 de invertebrados aproveitem as tocas abandonadas.

Quem mais aparece

A fauna registrada pelas armadilhas

As câmeras instaladas para monitorar o tatu-canastra revelam a riqueza de espécies que dividem o mesmo território — muitas delas frequentando as tocas escavadas pelo tatu.

Onça-pintada
Onça-pintada
Onça-parda e filhote
Onça-parda e filhote
Anta
Anta
Tamanduá-bandeira
Tamanduá-bandeira
Cachorro-vinagre
Cachorro-vinagre
Veado
Veado
Quati
Quati
Cachorro-do-mato
Cachorro-do-mato
Tamanduá-mirim
Tamanduá-mirim
Teiú
Teiú
Além da pesquisa

Brigada comunitária de incêndio

Criada em 2021, em parceria com o INCAB/IPÊ e a Fazenda Baía das Pedras, a brigada nasceu da constatação de que proteger o tatu-canastra no Pantanal significa também proteger o bioma inteiro do fogo.

Hoje a iniciativa integra 25 propriedades rurais e protege 160 mil hectares do Pantanal, realizando treinamentos anuais para enfrentar os desafios do período de estiagem.

Sobre a espécie

O tatu-canastra (Priodontes maximus) é exclusivo da América do Sul. Discreto e de hábitos noturnos, passa grande parte do tempo escavando tocas profundas. Sua reprodução é extremamente lenta — o animal atinge a maturidade sexual apenas entre 7 e 9 anos, e a fêmea tem gestação de cerca de cinco meses. Esse ciclo longo torna a espécie especialmente vulnerável a pressões ambientais.

1,5 mde comprimento
50 kgde peso máximo
5 mde profundidade das tocas
1 filhotea cada três ou quatro anos
Projeto relacionado

Canastras e Colmeias

No Cerrado, o tatu-canastra passou a buscar larvas em colmeias, gerando desafios com apicultores — sobretudo por causa do desmatamento e da fragmentação do bioma. Deste conflito nasceu um projeto hoje certificado como tecnologia social.

Apoio institucional

Quem sustenta o programa

Royal Zoological Society of Scotland

Royal Zoological Society of Scotland

Hotel Fazenda Baía das Pedras

Hotel Fazenda Baía das Pedras, Pantanal

Instituto de Pesquisas Ecológicas

Instituto de Pesquisas Ecológicas (IPÊ)

Apoio financeiro e in-kind: Play for Nature · La Passerelle Conservation · Chester Zoo · Beauval Nature · Whitley Fund for Nature · Mohamed bin Zayed Species Conservation Fund · Disney Conservation Fund · Sacramento Zoo · Jacksonville Zoo · Houston Zoo · Naples Zoo · Zoo Atlanta · Wilhelma · Cerza · Parc Animalier d'Auvergne · Taiwan Forestry Bureau · Idea Wild · Natural Research · e dezenas de outras instituições no Brasil, Europa, Estados Unidos e Ásia.
Desde 2017

Programa de Conservação do Tamanduá-bandeira

Quando protegemos o tamanduá-bandeira, protegemos também a vida. O programa reúne projetos inovadores que unem ciência, tecnologia e ação comunitária para proteger a espécie, altamente vulnerável a colisões em rodovias e à perda de habitat.

85 milkm de rodovias monitorados
100+tamanduás rastreados por GPS
24filhotes órfãos devolvidos à natureza
1resolução estadual criada a partir da pesquisa
Tamanduá-bandeira atravessando estrada
Tamanduá-bandeira atravessando estrada no MS. Foto: Luiz Felipe Mendes
Projeto Bandeiras e Rodovias

Uma iniciativa pioneira em três fases

As rodovias são fundamentais para o transporte de pessoas e mercadorias, mas quando não são planejadas adequadamente geram graves impactos ambientais, sociais e econômicos. O projeto buscou compreender e mitigar esses impactos em Mato Grosso do Sul.

Fase 1 · 2017–2020

Diagnóstico das colisões

O primeiro objetivo foi quantificar e analisar os impactos ecológicos e sociais das colisões veiculares. Foram monitorados cerca de 85 mil km de rodovias no estado, registrando-se a morte de 12.400 animais silvestres. Destes, 40% representavam risco de acidentes com danos materiais e à vida humana e da fauna.

Mortalidade registrada
766tamanduás-bandeira
968capivaras
425antas

Subnotificação: esses números são estimativas mínimas. Cerca de 25% das carcaças desaparecem rapidamente devido à ação de predadores e à decomposição. Além disso, dados de radiotelemetria mostram que metade dos tamanduás que sofrem colisão não morre na rodovia — eles se afastam entre 10 e 900 m do local do impacto e passam despercebidos nas contagens.

Fase 2 · 2021–2023

Dimensão humana e políticas públicas

Nesta etapa, o foco se expandiu para incluir as dimensões humanas, institucionais e políticas. O ICAS trabalhou em parceria com autoridades públicas, motoristas, empresas e sociedade civil, promovendo ações coordenadas para reduzir a mortalidade da fauna e minimizar os riscos para os condutores.

1

Publicação do Guia de Mitigação de Colisões Veiculares com Fauna Silvestre nas rodovias estaduais de MS.

2

O Manual de Orientações Técnicas foi convertido na Resolução Estadual nº 001/2022, tornando-se norma oficial para todo o estado.

3

Elaboração do mapa dos trechos com maior probabilidade de colisão com fauna de grande porte em todas as rodovias pavimentadas e não pavimentadas de MS. Agora sabemos onde as colisões podem acontecer — tornando-as tragédias anunciadas.

4

Parceria com o DETRAN-MS para sensibilizar motoristas em formação sobre os riscos das colisões, além de ações educativas para crianças, jovens e adultos.

Fase 3 · 2024 em execução

Soluções e inovação

A fase atual busca implementar soluções inovadoras para mitigar os impactos das rodovias sobre a fauna silvestre e aumentar a segurança viária.

  • Workshops sobre sinalização viária eficiente para prevenção de colisões
  • Participação no Fórum Rota Sustentável, liderado pelo Ministério Público Estadual
  • Divulgação de soluções de infraestrutura: passagens de fauna, cercamentos direcionadores e sinalização em áreas críticas
  • Criação do Observatório "Rodovias Seguras para Todos"

Observatório Rodovias Seguras para Todos

Uma iniciativa colaborativa onde ciência, conservação e segurança se encontram para salvar vidas — unindo esforços para reduzir as colisões veiculares com a fauna e tornar as estradas mais seguras para todos. É uma ação coletiva de seis organizações que atuam em Mato Grosso do Sul.

ICAS Instituto Homem Pantaneiro INCAB/IPÊ Onçafari Instituto Libio Instituto SOS Pantanal
Detetives Ecológicos

Tamanduás que revelam a paisagem

Desde 2017, pesquisadores do ICAS já monitoraram mais de 100 tamanduás-bandeira usando coletes com GPS e VHF que registram a localização a cada 20 minutos.

Por que "detetives"?

Ao acompanhar esses animais numa paisagem cada vez mais fragmentada por rodovias, monoculturas e áreas urbanas, os pesquisadores mapeiam suas rotas e analisam como eles interagem com diferentes ambientes — identificando quais áreas ainda permitem passagem e quais se tornaram barreiras.

Os tamanduás fornecem informações valiosas sobre a permeabilidade da paisagem, possibilitando o planejamento de corredores ecológicos que garantam conectividade entre fragmentos de habitat.

A iniciativa concentra esforços nos indivíduos em fase de dispersão — período em que os jovens deixam sua área natal em busca de novos territórios, quando estão mais vulneráveis.

20 minintervalo de registro do GPS
30animais monitorados na APA do Guariroba
Tamanduá-bandeira com colete de monitoramento
Tamanduá-bandeira com colete de monitoramento por GPS e VHF. Foto: Mário Alves

Desde maio de 2024, o projeto passou a atuar também na Área de Proteção Ambiental do Guariroba, região mais preservada e com menor interferência de rodovias em comparação a Nova Andradina, onde se concentravam os estudos anteriores. Ali, as atividades econômicas são limitadas principalmente à pecuária extensiva, o que favorece o uso sustentável do território e oferece mais estabilidade para a população de tamanduás.

Projeto Babies

O que a cauda revela

Tamanduá-bandeira protegendo filhote com a cauda
Tamanduá-bandeira utiliza a cauda para proteger seu filhote. Foto: Alessandra Bertassoni

Cuidado maternal no Cerrado

Desde agosto de 2021, um estudo inédito no Cerrado de MS investiga o cuidado maternal e o comportamento de fêmeas e filhotes. O objetivo é compreender os padrões de cuidado materno, gerando dados fundamentais para a conservação — já que filhotes de 0 a 2 meses são os que apresentam maior taxa de mortalidade.

Os resultados preliminares indicam que os filhotes dependem intensamente das mães nos primeiros dois meses de vida, período crucial para seu desenvolvimento.

A pesquisa também trouxe revelações sobre a característica mais marcante da espécie: o estudo descreveu 11 comportamentos distintos relacionados ao uso da cauda, a maioria registrada pela primeira vez, documentados ao longo de 266 horas de observação de campo entre 2021 e 2023.

266 hde observação de campo
11comportamentos descritos
TamanduASAS

Uma segunda chance para os órfãos

Iniciativa pioneira no Brasil, dedicada à criação, reabilitação e soltura monitorada de filhotes órfãos de tamanduá-bandeira. Desenvolvida em Minas Gerais desde 2017 pelo Instituto Estadual de Florestas (IEF), com cooperação técnica da Nobilis e do ICAS.

Do resgate à volta para casa

A maioria desses filhotes perde as mães em colisões veiculares nas rodovias mineiras. O projeto oferece cuidados especiais que incluem aleitamento, desmame, adaptação e preparo para o retorno à natureza, com protocolos específicos desenvolvidos por uma equipe multidisciplinar.

A metodologia de soltura branda envolve a construção de recintos de reabilitação na própria área de soltura e a manutenção de comedouros externos, garantindo suporte alimentar enquanto os animais se adaptam gradualmente à vida livre. O monitoramento pós-soltura usa colares com GPS e armadilhas fotográficas.

O projeto também atua no engajamento de proprietários rurais, incentivando a criação de RPPNs e corredores ecológicos — como aconteceu com a RPPN Retiro Águas Vivas, em Uberlândia, e a reestruturação da RPPN Jacob, em Nova Ponte.

24tamanduás reintroduzidos
2áreas de soltura em unidades de conservação
Filhote de tamanduá-bandeira no projeto TamanduASAS
Projeto TamanduASAS: reabilitação de filhotes órfãos.

Todo esse trabalho é integrado ao Plano de Ação Nacional para a Conservação do Tamanduá-bandeira, que estabelece estratégias prioritárias para a proteção da espécie no Brasil.

Da pesquisa à política pública

O trabalho do programa não parou no diagnóstico. O manual técnico produzido pela equipe foi convertido em resolução estadual, tornando-se norma oficial para as rodovias de Mato Grosso do Sul — um caminho raro entre a ciência de campo e a política pública.

Apoio institucional

Quem sustenta o programa

Fondation Segré

Fondation Segré — financiamento principal do Projeto Bandeiras e Rodovias

Royal Zoological Society of Scotland

Royal Zoological Society of Scotland — recursos para a coordenação de projetos

Instituto de Pesquisas Ecológicas

Instituto de Pesquisas Ecológicas (IPÊ) — suporte administrativo no Brasil

Financiadores: WWF · Houston Zoo · Jacksonville Zoo · Nashville Zoo · Naples Zoo · Reid Park Zoo · Riverbanks Zoo · Greensboro Science Center · Taipei Zoo · Parc Animalier d'Auvergne · Miller Park Zoo · Beauval Nature · Chester Zoo · Disney Conservation Fund · Fresno Chaffee Zoo · Greenville Zoo · Play for Nature · Wilhelma · Zoo Miami · ZCOG · e outras instituições parceiras.
Desde 2015

Projeto Canastras e Colmeias

Convivência entre apicultores e tatu-canastra: um desafio que garante sustentabilidade para todos.

178apiários mapeados
100apicultores certificados
4estados de atuação
+20%nas vendas do mel certificado
Apicultores manejando colmeias
Manejo de colmeias em apiário parceiro do projeto.
Como tudo começou

Um conflito inesperado

O Projeto Canastras e Colmeias surgiu em 2015, inicialmente como complemento de uma pesquisa para mapear a ocorrência do tatu-canastra no Cerrado de Mato Grosso do Sul. Durante os trabalhos de campo, os especialistas em fauna interagiram com mais de mil produtores rurais para obter acesso às terras privadas. Nesse processo, identificaram um conflito inesperado: os tatus-canastra, gigantes ameaçados de extinção, passaram a derrubar colmeias em busca de larvas de abelhas.

O canastra se alimenta mais frequentemente de cupins e formigas, mas pode recorrer às larvas de abelhas quando encontram fácil acesso e, sobretudo, quando há escassez de seu alimento natural nos fragmentos de Cerrado. O problema ocorre porque os apicultores instalam suas colmeias justamente nas áreas de vegetação nativa, que também são habitat essencial para os tatus-canastra. Com o avanço do desmatamento e a redução da oferta natural de alimento, o tatu-canastra tem recorrido às colmeias, causando prejuízos significativos à produção de mel e seus derivados.

O que o levantamento revelou

Foram mapeados 178 apiários em colaboração com 10 associações de apicultores. O estudo revelou que 73% desses locais sofreram danos causados pelos tatus-canastra nos cinco anos anteriores à pesquisa, sendo 46% apenas no último ano. Para entender melhor o conflito, os pesquisadores instalaram câmeras acionadas por movimento em alguns apiários, registrando o comportamento dos tatus-canastra e de outros animais silvestres que se aproximavam das caixas destruídas.

O trabalho de campo

Pesquisa que nasce do território

A equipe acompanha os tatus-canastra em campo — capturando, medindo e monitorando os animais — e visita os apiários para testar soluções junto com os produtores.

Equipe do ICAS com tatu-canastra em caixa de contenção
Manejo de tatu-canastra durante procedimento de campo.
Pesquisadores medindo um tatu-canastra
Coleta de dados biométricos no Cerrado.
Apicultores em apiário
Visita técnica a apiário parceiro do projeto.
A solução

Guia de convivência

Para promover a convivência pacífica entre apicultores e o tatu-canastra, foi desenvolvido o Guia de Convivência entre Apicultores e Tatus-Canastra no Cerrado do Mato Grosso do Sul, que reúne informações sobre o comportamento da espécie e apresenta estratégias eficazes para proteger os apiários sem prejudicar a fauna local.

Entre as soluções propostas estão a instalação de cercas em torno dos apiários ou o uso de cavaletes altos e firmes para manter as colmeias fora do alcance do tatu-canastra. Todas as medidas foram testadas e avaliadas quanto à eficácia, custos e facilidade de instalação.

Selo de certificação

Amigo do Tatu-Canastra

Selo Amigo do Tatu-Canastra

Conservação que valoriza quem produz

O selo Amigo do Tatu-Canastra reconhece os apicultores que adotam práticas de manejo sustentável, capazes de proteger tanto as colmeias quanto o tatu-canastra. Em parceria com os produtores, foram desenvolvidas diversas técnicas para reduzir os ataques aos apiários sem prejudicar a fauna local.

Os produtos desses apicultores recebem a certificação, identificando que a produção ocorre em harmonia com a preservação ambiental. As vendas dos produtos certificados aumentaram cerca de 20% e o valor agregado do mel teve acréscimo de 15%.

Programa Rainhas

Recompor o que foi perdido

O Programa Rainhas foi desenvolvido para apoiar os apicultores que sofreram grandes perdas devido aos ataques do tatu-canastra. Muitos produtores chegaram a perder parte significativa das suas colmeias.

A iniciativa oferece abelhas rainha de linhagem selecionada e alta qualidade para os apicultores parceiros, possibilitando a recomposição dos enxames afetados e garantindo o retorno da produtividade nos apiários. Essa ação é especialmente importante para pequenos produtores, que muitas vezes não possuem certificação sanitária formal, mas ainda assim são impactados economicamente.

Entre as metas do Projeto está a distribuição de centenas de abelhas rainha nos próximos meses, beneficiando dezenas de apicultores e demonstrando que é possível equilibrar a proteção da biodiversidade com o desenvolvimento sustentável da apicultura no Cerrado.

Onde o projeto chega hoje

Atualmente o Projeto conta com cerca de 100 apicultores certificados e expandiu sua atuação para quatro estados brasileiros. A iniciativa trabalha não apenas com micro e pequenos produtores, mas também com associações, cooperativas e comunidades indígenas, fortalecendo a apicultura sustentável e a conservação do tatu-canastra em diferentes realidades e territórios.

MSMato Grosso do Sul
MGMinas Gerais
GOGoiás
PAPará
Vozes do Mel

Histórias de quem vive disso

Uma série com histórias de harmonia entre pessoas, abelhas e tatus — apicultores que fazem a diferença no território.

7 de novembro de 2025

Gilson, Josiele e seus filhos, Miguel e Rafaela

7 de novembro de 2025

Elizeu Lima

3 de março de 2026

Tecnologia social do ICAS é certificada pela Fundação Banco do Brasil

Reconhecido como tecnologia social

Em março de 2026, a metodologia do Canastras e Colmeias foi certificada pela Fundação Banco do Brasil como tecnologia social — reconhecimento de que a convivência entre apicultores e tatu-canastra é um método replicável, que pode ser levado a outros territórios com o mesmo desafio.

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